
QUANDO ocorreu a conquista espanhola do Iucatã no século XVI existiam muitos livros deste tipo, mas foram destruidos de modo sistemático, primeiro pelos conquistadores e mais tarde pelos padres. Em particular, todos os que existiam no Iucatã foram destruídos por ordem do bispo Diego de Landa em Julho de 1562. Tais códices eram registos escritos primários da civilização Maia, juntamente com as muitas inscrições em monumentos de pedra e estelas que ainda hoje existem. Porém, a abrangência de assuntos deveria ser muito maior que os registados em pedra e nas construções, devendo ser mais parecida com a que se encontrou em cerâmicas pintadas. Alonso de Zorita escreveu em 1540 sobre como viu numerosos livros deste tipo nas terras da Guatemala que registravam a sua história desde há mais de 800 anos, e que foram para mim interpretados por índios anciãos. Frei Bartolomé de las Casas lamentava que tais livros fossem destruídos: Estes livros foram vistos pelo nosso clero, e até eu vi parte daqueles que foram queimados pelos monges, aparentemente porque eles pensavam que [os livros] podiam prejudicar os índios em matérias relativas à religião, uma vez que encontravam-se no início da sua conversão. Os últimos códices destruídos foram os de Tayasal, na Guatemala em 1697. Com a sua destruição, a possibilidade de aprender algo mais sobre alguns aspectos da vida Maia foi severamente diminuída.Apenas três códices e o possível fragmento de um quarto chegaram até à atualidade. São eles:
Códice de Dresden
Códice de Madrid
Códice de Paris
Códice Grolier (ou Fragmento Grolier)
Códice de Dresden
O Códice de Dresden encontra-se na Sächsische Landesbibliothek, a biblioteca estadual de Dresden, na Alemanha. É o mais elaborado dos códices Maias, bem como uma importante obra de arte. Muitas secções são ritualistas (incluindo os chamados "almanaques"), outras são de natureza astrológica (eclipses, ciclo de Vénus). O códice encontra-se escrito numa longa folha de papel dobrada produzindo um livro de 39 folhas, escritas em ambas as faces. Terá sido escrito pouco tempo antes da conquista espanhola. De alguma maneira chegou à Europa e foi comprado pela biblioteca real da corte da Saxónia em Dresden no ano de 1739.
Ciclo de Vénus
O ciclo de Vénus era um calendário importante para os Maias, e muita informação sobre este assunto encontra-se no Códice de Dresden. As cortes Maias tinham à sua disposição astrónomos capazes de calcular o ciclo de Vénus com grande precisão. Existem seis páginas no Códice de Dresden dedicadas ao cálculo preciso da localização de Vénus. Os Maias eram capazes de obter tal precisão graças às cuidadosas observações efectuadas ao longo de vários séculos. O ciclo de Vénus era especialmente relevante porque os Maias acreditavam que se encontrava associado à guerra e o usavam para determinar os tempos apropriados para as coroações e guerras. Os governantes Maias planejavam as guerras de modo a terem o seu início quando Vénus aparecesse no céu a oriente após ter desaparecido no ocidente. Os Maias poderão ter acompanhado os movimentos de outros planetas como Marte, Mercúrio e Júpiter.
Códice de Madrid
Apesar da qualidade de execução ser inferior, o Códice de Madrid é ainda mais variado que o Códice de Dresden e foi elaborado por oito escribas diferentes. Encontra-se no Museo de América em Madri, Espanha, para onde foi enviado por Hernán Cortés. São 112 páginas, anteriormente divididas em duas secções separadas conhecidas como o Códice Troano e o Códex Cortesianus e reunidas em 1888.
Códice de Paris
O Códice de Paris contém profecias para tuns e katuns (ver calendário maia na proxima edicao), sendo, neste aspecto, semelhante aos Livros de Chilam Balam. Foi encontrado num caixote de lixo numa biblioteca de Paris, e como tal encontra-se em muito mau estado. Encontra-se actualmente na Bibliothèque Nationale (Biblioteca Nacional), em Paris, França.
Códice Grolier
Enquanto os outros três códices são conhecidos dos estudiosos desde o século XIX, o Códice Grolier surgiu apenas na década de 1970. Diz-se que este quarto códice Maia havia sido encontrado numa gruta, mas a questão da sua autenticidade ainda não foi resolvida de forma definitiva. Não se trata de um códice completo, mas sim de um fragmento com 11 páginas. Encontra-se actualmente num museu no México, mas não está em exibição para o público. Estão disponíveis na internet fotos digitalizadas do original. As páginas são muito menos detalhadas que em qualquer um dos outros códices. Cada página mostra um herói ou um deus, olhando para a sua esquerda. No cimo de cada página encontra-se um número. Ao longo da margem esquerda de cada página encontra-se o que parece ser uma lista de datas.
Outros códices Maias
Dada a raridade e importância destes livros, rumores relativos à descoberta de novos códices muitas vezes despertam interesse. As escavações arqueológicas têm encontrado várias amontoados de estuque e flocos de tinta, sobretudo em túmulos de élite. Estes amontoados são códices em que todo o material orgânico decompôs-se. Alguns destes amontoados mais coerentes, foram preservados, com a esperança remota de que venha a ser desenvolvida alguma técnica que permita recuperar alguma informação a partir dos restos destas páginas antigas. Os códices Maias mais antigos que se conhecem, foram encontrados por arqueólogos em ofertas funerárias em escavações efectuadas em Uaxactún, Guaytán em San Agustín Acasaguastlán, e Nebaj em Quiché, Guatemala, em Altun Ha no Belize e em Copán nas Honduras. Estes seis exemplars descobertos em escavações datam do período clássico inicial (Uaxactún e Altun Ha), do clássico tardio (Nebaj, Cópan) e pós-clássico inicial (Guaytán) e infelizmente todos foram alterados pela pressão e humidade durante os muitos anos que permaneceram enterrados encontrando-se reduzidos a massas de pequenos fragmentos, não sendo provável que alguma vez venham a ser lidos.Desde o início do século XX foram produzidas várias falsificações de qualidade variável; porém, raramente foram enganados verdadeiros peritos mas alguns coleccionadores de arte têm sido. Quando surgiu pela primeira vez o Códice Grolier, vários estudiosos da cultura Maia pensaram tratar-se de uma falsificação de qualidade excepcional e apesar de o seu exame detalhado ter convencido muitos da sua autenticidade, permanecem ainda muitas dúvidas.
NA PROXIMA EDICAO VEJA AS PROFECIAS


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